Olhou as cicatrizes no espelho. Eram duas grandes marcas no peito. Havia perdido a consciência durante o acidente. Não lembrava de nada. Ninguém havia visto nada. Nunca conseguiram definir o culpado. Ele ou o outro. O outro. O outro estava morto. Deixou família, filhos. Ele ficou só com duas cicatrizes. Foi sua herança. Cada vez que olhar no espelho, vai lembrar. Pro resto da vida. Pra sempre. Foi minha a culpa? Foi do outro?
E nunca saberá.