Sempre foi desastrado.
No colégio era o pior esportista.
Por vezes sentia que mal conseguia caminhar sem tropeçar.
Sempre encarou isso com certo bom humor.
Era engraçado, de fato, contar suas peripécias com a bola,
seus desastres diários.
Tinha outras qualidades que compensavam a falta de coordenação, afinal.
Um dia desses teve um filho.
Ficou pensando se ele compartilharia das mesmas deficiências que o pai.
Nunca soube.
A mesma coordenação que lhe faltou nos esportes
também lhe faltou na hora impedir que seu filho se jogasse
na frente de um caminhão.